domingo, 14 de agosto de 2016


Na madrugada as palavras emputecem Elas querem mostrar-se, saltarem a língua. Na madrugada Palavras se carregam de vontades ínfimas, pensamentos enojados Silenciados na rotina do dia. "Vai -te deitar quando a pálpebra pedir sono" - a mim mesma repito. "Não remoa na cama o que não é digno de ser lembrado." Mas as palavras coçam, e me dizem ainda Dizeres abafados pelo vazio da vida diurna. E quanto mais silêncio mais gemidos; gritos e gritos... na madrugada as palavras coçam a língua Elas querem mostrar-se E me reduzem à míngua. E nesse neste barulho de uma noite desvalida E que queria vozes de outros, ruídos... Sentir-me sozinha. (palavras são péssimas companhias)
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Te quis

Numa intensidade feroz
Era toda sentimento
Olhava para mim, e por consequência,
apenas o via.

Te quis
Desastrada - que pena!
De tanto o querer minhas pernas travaram
Minha voz embargou
Fui muito menos do que sou e do que podia ser.

Te quis

Perdi noites imaginando o que seria, calculando o que faria - posso, não posso.

Te quis

E perdi a graça n'outros beijos. Amei muitos outros mas nenhum corpo tinha o costume do teu sexo.
Até teu cheiro despertava em mim evasões do desejo.

Te quis

Que desgraça!
O sentimento me apequenou
Voltei a ser adolescente
Dessas que veem graça em junção de sobrenomes.

Comecei a sentir falta de um passado que não tive. Ver sentido em todas as músicas, e procurá-lo em todos escritos e rosto de desconhecidos.
Que doença!

Te quis

E de tanto te querer o sufoquei. Eu sei. Assustei.
Você pôs uma mulher decidida à adolescente com birra.
Eu também não me quereria, mas

te quis...

E nesse empasse me perdi,
e por me perder
te perdi...

Te quis,
E ainda quero
Mas agora olho-me no espelho e vejo apenas o que sou:
Uma mulher inteira
Buscando a liberdade interior
Um processo infinito.
Ainda te desejando
Mas pegando um Solzinho
E conhecendo novos amores.
UFA!


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