Na madrugada as palavras emputecem
Elas querem mostrar-se,
saltarem a língua.
Na madrugada
Palavras se carregam de vontades ínfimas,
pensamentos enojados
Silenciados na rotina do dia.
"Vai -te deitar quando a pálpebra pedir sono" - a mim mesma repito.
"Não remoa na cama o que não é digno de ser lembrado."
Mas as palavras coçam,
e me dizem ainda
Dizeres abafados pelo vazio
da vida diurna.
E quanto mais silêncio
mais gemidos;
gritos e gritos...
na madrugada as palavras coçam a língua
Elas querem mostrar-se
E me reduzem à míngua.
E nesse neste barulho de uma noite desvalida
E que queria
vozes de outros, ruídos...
Sentir-me sozinha.
(palavras são péssimas companhias)

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