domingo, 14 de agosto de 2016


Na madrugada as palavras emputecem Elas querem mostrar-se, saltarem a língua. Na madrugada Palavras se carregam de vontades ínfimas, pensamentos enojados Silenciados na rotina do dia. "Vai -te deitar quando a pálpebra pedir sono" - a mim mesma repito. "Não remoa na cama o que não é digno de ser lembrado." Mas as palavras coçam, e me dizem ainda Dizeres abafados pelo vazio da vida diurna. E quanto mais silêncio mais gemidos; gritos e gritos... na madrugada as palavras coçam a língua Elas querem mostrar-se E me reduzem à míngua. E nesse neste barulho de uma noite desvalida E que queria vozes de outros, ruídos... Sentir-me sozinha. (palavras são péssimas companhias)
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