segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016


Quem pudera prever que na metade da minha vida eu conheceria uma paixão louca e desajeitada. 
Nada mais importa quando ela dança... Acendo meu cigarro.
Ela dança...
Enquanto me preocupo com a mazela da sobriedade, 
Ela dança...
E nos seus passos rápidos me remonta o cheiro da juventude, os discos de Prince, as violetas insistentes na janela, o primeiro carro, o primeiro sexo, a primeira dama.
E nada mais importa quando ela dança...
Mesmo com a consciência de que é o dinheiro que compra o falso gemido. 
Mesmo sabendo que nunca poderia emprestar minhas palavras e mostrar o que sinto...
O dinheiro concedeu a chance de meus olhos sentir o prazer de olhar, as mãos de tocar e o que punge sentir. 
E enquanto ela dança as luzes divagam, e de repente seus passos tornam-se progressivos como em câmera lenta. Minhas mãos suam, sentado na mesa. As palavras permeiam o pensamentos uma sob a outra. Será a forma em que ela dança ou o goles a mais que tomei? As frases em minha mente se tornam curtas e bagunçadas. 
E ela dança...
E em meio a este turbilhão de sensações e sinestesia que inicia-se a história do desalento...

0

0 comentários:

Postar um comentário

Sintam-se à vontade !