As palavras?
já não as encontro.
Muito por estarem simultaneamente uma por sobre a outra
nessa confusão ínfima de pensamentos,
Dificultando minha capacidade de distingui-las.
Será este o período em que o poeta absorve, para depois com grande intensidade aludir?
Espero.
A graça que via na poesia não vejo mais.
Engessada pela banalidade frívola que outrora me era desconhecido.
Muito porquê essa não é a década para poetas, mas para apenas reprodutores de poemas monossilábicos.
Talvez essa seja a década da conceituaçao seguidas de afirmações de amor próprio.
E eu que apenas coração desatenta a dizeres de posso e não posso, não encontro lugar para em alguém para apenas sentir.
Sentir... Mas que dois corpos amalgamados.
Sentir os poros,
o prazer das mãos,
a dor do querer que enceta nos versos mais lindos... Onde esta a minha inspiração?
Isto que me falta:
O interesse.
Mas muito porque talvez não haja lugar para interesse,
visto que a curiosidade se perdeu em tantas selfies.
O espaço para as mais singelas demonstrações de apreço se foram,
O espaço para ser quem verdadeiramente somos -vulneráveis.
Já não há.
Não há mais espaço para poesia que não seja sexo ou morte.
O animalismo nos irrompeu.
A nossa racionalidade e esperança de amor esvaíram-se do Sentido.
Essa doença de superficialidade, seguida por um amor próprio nos reduzio.
Assassinaram os poetas.
Não me julgue por deixar empoeirado as folhas de papeis.
Onde esta a inspiração ?

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