alvez exista um mundo entalado em minha garganta,
Junto da vontade de
dizê-las.
Mas quando peso o sacrifício e o ardor de proclamá-las
recuo.
corro de mim mesma.
Para a diferença há um preço
por ora,
não estou disposta a pagá-lo
Muito menos
comprá-lo para me autoconceituar.
O diferente existe
Todavia,
não falo deste às avessas que afigurou-se banal.
Todos almejam ser diferentes,
conceituais.
Não me refiro a esta diferença,
muito menos a forçosa
de "tudo posso então por isso tudo ei de fazer".
Trago o diferente que não é revelado,
e que de tão diferente chega a não ser.
O diferente extravagado no choro da repressão
Do não achar iguais para
conversas absurdamente profundas
Do não encontrar iguais que beijem
em ritmo de intensidade e euforia,
que só beijam aqueles que possuem um
mundo
na língua.
somente eles sabem a harmonia correta do ritmo,
até o ápice da conversação de almas.
Talvez haja
resquícios do futuro nos meus seios
e que me ponha em mudeza pelo medo do talvez.
Já não sorrio para o futuro,
e se sorrio é para mostrar os dentes.
Os meus iguais se foram,
ou mataram o mundo em suas línguas com medo de revelia.
Sei, eu bem sei, que todos estamos em um luta
Mas que luta valerá apena ?
Os heróis já se foram
E esse preço da diferença não desejo pagar.
Mas só talvez a medida que está caneta alcança o papel eu sinta euforia e extrema paixão de me pertencer, inclusive,
vaidade destes sentimentos em explosão.
E só talvez,
mesmo não desejando pagar o preço da diferença,
eu, resignada, pague.
Então meus olhos encheram-se de sangue
e o mundo entalado em minha
garganta apoderar-se-à da minha fala,
até que eu NÃO seja mais eu,
até que eu seja PARA mim. "O limite do teu mundo ,
é o limite da tua língua."

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