terça-feira, 4 de julho de 2017


  • Quisera que em meus versos tivesse espaço somente para o sagrado,
    dizeres sobre o amor
    ao máximo,
    saudades.
    Mas a vida quis presentear-me com maturidade prematura.
    Não escolhemos a marca que temos.
    Preferia não saber. 
    A consciência tem um custo
    E as desgraças da vida nos tornam mais humanos, 
    bem sei,
    também preferia não ser.
    Pego-me pensando, não raras vezes, como seria bom gastar meu tempo com conversas que não fossem manipular o pensar,
    Como seria bom e fácil me envolver com o outro somente 
    pelo interesse da pele ou da companhia.
    Quisera ter medo da solidão, da paixão e de toda intensidade que um consciente pode sentir.
    Mas não, toda esta intensidade me devora
    a ponto de nos tornamos uma.
    toda coração.
    Olho-me no espelho
    vergonha de ser o que sou 
    vergonha maior do olhar preconceituoso que recaí em sobre mim mesma. 
    Sou reflexo e convexo. 
    Duas.
    O que sou e o que me contempla.
    Carrego peso, cujas bagagem não poderei abrir mão 
    me acompanharam até quando me restar lucidez.
    Não fumo, 
    deveria. 
    Acabo por canalizar todo meu anseio para vícios piores,
    das quais fico muito mais exposta.
    Nervosa, ansiosa,
    abro o aplicativo do meu celular e tento preocupar-me como a vida dos outros para não pensar no vazio da minha.
    Todos felizes, trajados, e com frases de impacto em suas fotos.
    Este contraste me traz à tona ao desespero da minha.
    Viver resignada a condições irrisórias pela falta de oportunidade 
    Sonhos abortados ou mortos quando ainda recém-nascidos.
    Constatar que pessoas sem o mínimo de perícia em suas artes prosperam
    porque o público igualmente imperito as aplaude.
    Constatar que a beleza não é mais um dom inato, mas um adorno comprado.
    Constatar que estou limitada a não ser bela.
    Melhor é ser feia do que bonita,
    quando estamos a um passo de ser algo nunca nos tornamos tão longe de ser.
    O vazio da falta de iguais é um vazio que leva-nos a loucura. 
    Põe em nossas testas a púrpura.
    O diferente quando em particularidade é belo.
    o diferente quando em singularidade é feio.
    O vazio de não torna-se o que é
    pelo medo de não conseguir meio para tanto. 
    Por quê diabos há escambo até para gostos ?
    O meu gosto é caro, não posso comprá-lo
  • A dor da amargura do que não chegou-se a viver
    não é saudade, é desespero
    é ponta cravada no peito mostrando nossa fragilidade
    é ponta cravada no peito pondo em cheque toda a fé em dias melhores.
    Amo a Deus ou O preciso ?
    Conviver com o amedrontamento de acreditar por conviniência
    e covardia de não poder ganhar sozinha.
    Conviver com proselitismo sem nenhum amor na fala e na salvação pregada.
    Conviver com o talvez E a abstenção de prazeres nos poucos dias de nossa peregrinação 
    por uma esperança morta.
    Por isto que Ele prefere o frio que os mornos.
    É uma ofensa procurar o serviço de alguém com bajulações - antes a indiferença.
    Quisera que em meus versos tivesse espaço somente para o sagrado.
    Porém, nunca fora tão tangível
    Sem sonoridade ou palavras bonitas. 
    Reto, indiscreto.
    Nunca fora tão humano.
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